Hoje tinha tudo pra ser um dia atípico. Além de trabalhar doze horas, esse é um domingo, de férias - sinônimo de um aeroporto cheio, fretados e mais fretados, pessoas indo, vindo, voltando.
Eis que me para uma tia no balcão e me pergunta de um vôo vindo de Brasília da ADVANCE. Supondo que ela se referia à Avianca, disse a ela o horário do vôo e ela lamentou ter chegado tão cedo. Normalmente, é aí que as histórias terminam, mas a Tia Luzia prosseguiu.
Segundo ela, estava a dias acamada, com uma dor na coluna, tanto que nem pode viajar para Brasília com a filha, para que fossem no aniversário de um sobrinho dela. Fez vários exames e os médico não conseguiam saber o que é que ela tem, sendo que os exames ficaram prontos ontem. Tia Luzia disse também que essa semana vai se consultar novamente essa semana e fazer uma série de outros exames, pois não pode perder a missa no domingo que vem.
E a conversa não parou: ela me contou de seu filho que mora na Espanha e de coo tudo lá é lindo, as pessoas educadas e a qualidade de vida muito melhor. Em seguida, manifestou seu desejo de conhecer Madrid e sua vontade de fazer uma viagem internacional - uma vez ela quase viajou para o Estados Unidos, pela Lufthansa, para fugir do regime militar, porém seu pai, um militar, não deixou que ela o fizesse.
Como podem ver, prestei muita atenção ao relato da Tia Luzia. Ela olhou meu crachá, perguntou se era o meu nome nele. MIRNA. "Sim, esse é o meu nome." (: Desejou boa noite e foi se sentar e esperar a filha chegar.
Mais um dia, mais uma história. Personagens é o que não falta.
Cotidiano de Aeroporto
Mais um dia de trabalho, mais um dia de aeroporto. O bom de se trabalhar num lugar assim? O visual sempre muda! Cada dia, algo novo - não necessariamente bom. Cada experiência, uma constatação: preciso sair daqui!
Quem vos escreve
- Mirna Lima
- Meu nome é Mirna Lima, tenho 24 anos e recentemente resolvi me aventurar e aplicar para um intercâmbio na Holanda. Montei o blog pra contar das minhas aventuras e desventuras durante o processo, pra compartilhar e orientar quem também está a fim de embarcar nessa aventura!
domingo, 18 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Pra falar mal...
Funcionário de Balcão de Informações sofre...
Mas também tem que aprender a manter a boca bem fechada nessa vida.
O Balcão de Informações do Aeroporto de Confins fica bem no meio do saguão, em frente ao desembarque doméstico. A gente acaba vendo todas as pessoas que desembarcam pelo tal portão, e elas acabam olhando pra gente, de alguma forma - seja pra perguntar, ter referência, etc.
Estou com um problema na perna, ainda sem diagnóstico (por falta de vergonha na cara, reconheço) e de vez em quando, me ocorre de mancar por uns tempos. E eis que nesse belo dia que vou relatar, a minha figura estava manca. A dor que eu sinto - que me leva a mancar - é tão intensa, que faço uso de um medicamento à base de opióides. Legal, né? Na verdade, não é muito legal não. Seria legal caso eu ficasse de atestado médico, porque trabalhar no ritmo lerdo/lesado num lugar tão dinâmico quanto um aeroporto, é um problema sério!
A coisa só podia ficar ruim. E ficou.
Minutos depois da minha chegada ao meu posto de trabalho, desembarcou no Aeroporto de Confins a atriz Deborah Secco. Não haveria nenhum problema quanto a isso, se não estivesse fazendo muito frio e a moçoila de shortinho. Devo reconhecer que ela é uma mulher muito bonita e tem pernas muito torneadas, e estava com o bronzeado bem bonito para fins do outono. Mas poxa, shortinho?
Enquanto ela caminhava em direção à saída do aeroporto, um dos meus colegas de trabalho mencionou o fato das pernas dela serem bonitas e torneadas (num linguajar muito mais chulo, claro), e eu mencionei dos braços da atriz eram muito finos e que destoavam da imagem sarada dela. No auge da minha insanidade (por conta do medicamento, vale lembrar), resolvi acrescentar a seguinte frase: "Pra mim, ela tá fazendo jus ao sobrenome, e está muito SECA"(seca, no sentido de magra).
Quando olho para trás, quem é que está parada, encostada no meu balcão, mexendo no celular?
É, Deborah Secco!
Não foi divertido...
Mas é como eu sempre digo, pense, mas pense baixo. Pensar alto faz as pessoas ouvirem.
Mas também tem que aprender a manter a boca bem fechada nessa vida.
O Balcão de Informações do Aeroporto de Confins fica bem no meio do saguão, em frente ao desembarque doméstico. A gente acaba vendo todas as pessoas que desembarcam pelo tal portão, e elas acabam olhando pra gente, de alguma forma - seja pra perguntar, ter referência, etc.
Estou com um problema na perna, ainda sem diagnóstico (por falta de vergonha na cara, reconheço) e de vez em quando, me ocorre de mancar por uns tempos. E eis que nesse belo dia que vou relatar, a minha figura estava manca. A dor que eu sinto - que me leva a mancar - é tão intensa, que faço uso de um medicamento à base de opióides. Legal, né? Na verdade, não é muito legal não. Seria legal caso eu ficasse de atestado médico, porque trabalhar no ritmo lerdo/lesado num lugar tão dinâmico quanto um aeroporto, é um problema sério!
A coisa só podia ficar ruim. E ficou.
Minutos depois da minha chegada ao meu posto de trabalho, desembarcou no Aeroporto de Confins a atriz Deborah Secco. Não haveria nenhum problema quanto a isso, se não estivesse fazendo muito frio e a moçoila de shortinho. Devo reconhecer que ela é uma mulher muito bonita e tem pernas muito torneadas, e estava com o bronzeado bem bonito para fins do outono. Mas poxa, shortinho?
Enquanto ela caminhava em direção à saída do aeroporto, um dos meus colegas de trabalho mencionou o fato das pernas dela serem bonitas e torneadas (num linguajar muito mais chulo, claro), e eu mencionei dos braços da atriz eram muito finos e que destoavam da imagem sarada dela. No auge da minha insanidade (por conta do medicamento, vale lembrar), resolvi acrescentar a seguinte frase: "Pra mim, ela tá fazendo jus ao sobrenome, e está muito SECA"(seca, no sentido de magra).
Quando olho para trás, quem é que está parada, encostada no meu balcão, mexendo no celular?
É, Deborah Secco!
Não foi divertido...
Mas é como eu sempre digo, pense, mas pense baixo. Pensar alto faz as pessoas ouvirem.
terça-feira, 13 de julho de 2010
TRABALHO AQUI
Comecei a trabalhar no Aeroporto Internacional Tancredo Neves - vulgo Aeroporto de Confins - em dezembro de 2008. Trabalho nada, eu era estagiária da Belotur, empresa responsável pelo turismo de Belo Horizonte. Durante nove meses, fiquei incubada na caixinha de fósforos que é o balcão de Informações Turísticas desse aeroporto, até ser contratada pela empresa que gerencia o Balcão de Informações da INFRAERO.
O início nunca é fácil - de uma caixinha de fósforos, eu passei a trabalhar sob os holofotes - e realmente, são holofotes! 36 lâmpadas apontadas diretamente pras nossas cabeças! Uma maravilha durante o calor, - e tudo o que acontece nesse bendito aeroporto, acaba caindo sobre a gente. Atrasa vôo, cancela vôo, telefone toca, passageiro grita é de deixar as pessoas loucas!
Certa vez, o vôo em que viajaria o ator Caio Blat teve uma pane elétrica - ou algo assim - e alguns passageiros, emputecidos (e com toda razão), procuraram o Balcão de Informações para reclamar da empresa. Apesar de não ser de responsabilidade da Infraero notificar, multar ou mover qualquer tipo de ação contra as companhias aéreas, pacientemente ouvimos o apelo do ator acima citado (que serviu de escudo para os outros passageiros, afinal de contas ERA O CAIO BLAT, ATOR DA GLOBO, como se naquele momento ele fosse mais importante do que qualquer outro passageiro do aeroporto, mas enfim), que alterado, foi um tanto deselegante com a minha colega de trabalho. E sabe o que ela fez? Nada. Ela continuou a ouvir atentamente a reclamação, e depois, gentilmente, apontou o lugar onde faria difença a reclamação dele: A ANAC.
Para quem não sabe, a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil- é o órgão regulador tanto das companhias aéreas, quanto da Infraero. Ou seja, caso o seu vôo atrase, seja cancelado ou a empresa aérea pela qual você esteja/devesse viajar te lesou de alguma forma, procure a ANAC, pois eles são os únicos que vão conseguir te ajudar nesse momento.
Voltando, apesar de todas as coisas que temos que aguentar ostentando um largo sorriso no rosto, acontecem fatos que fazem você resistir nesse emprego. Eu, por exemplo, me atenho no VER PESSOAS. Não sou muito ativa socialmente; vez ou outra, vou ao cinema, saio com amigos, mas não é um costume. Uma das coisas que eu mais gosto nesse emprego é o fato de estou sempre em contato com pessoas diferentes, seja só de ver - e fazer obsevações a respeito de comportamento, vestimenta (sim, às vezes eu não tenho o que fazer aqui), - ou de conversar.
Gosto do movimento das pessoas, sempre diferentes, sempre apressadas! Perguntam e saem correndo antes mesmo de você terminar de responder (é falta de educação sair correndo assim, sabiam? Eu paro de falar mesmo), o quanto elas são diferentes, mas o quanto são iguais na pressa! Da impaciência dos que esperam, à saudades dos que chegam. Tudo aqui é sempre igual e sempre novo!!
Sempre sorrindo, sempre de olho...
O início nunca é fácil - de uma caixinha de fósforos, eu passei a trabalhar sob os holofotes - e realmente, são holofotes! 36 lâmpadas apontadas diretamente pras nossas cabeças! Uma maravilha durante o calor, - e tudo o que acontece nesse bendito aeroporto, acaba caindo sobre a gente. Atrasa vôo, cancela vôo, telefone toca, passageiro grita é de deixar as pessoas loucas!
Certa vez, o vôo em que viajaria o ator Caio Blat teve uma pane elétrica - ou algo assim - e alguns passageiros, emputecidos (e com toda razão), procuraram o Balcão de Informações para reclamar da empresa. Apesar de não ser de responsabilidade da Infraero notificar, multar ou mover qualquer tipo de ação contra as companhias aéreas, pacientemente ouvimos o apelo do ator acima citado (que serviu de escudo para os outros passageiros, afinal de contas ERA O CAIO BLAT, ATOR DA GLOBO, como se naquele momento ele fosse mais importante do que qualquer outro passageiro do aeroporto, mas enfim), que alterado, foi um tanto deselegante com a minha colega de trabalho. E sabe o que ela fez? Nada. Ela continuou a ouvir atentamente a reclamação, e depois, gentilmente, apontou o lugar onde faria difença a reclamação dele: A ANAC.
Para quem não sabe, a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil- é o órgão regulador tanto das companhias aéreas, quanto da Infraero. Ou seja, caso o seu vôo atrase, seja cancelado ou a empresa aérea pela qual você esteja/devesse viajar te lesou de alguma forma, procure a ANAC, pois eles são os únicos que vão conseguir te ajudar nesse momento.
Voltando, apesar de todas as coisas que temos que aguentar ostentando um largo sorriso no rosto, acontecem fatos que fazem você resistir nesse emprego. Eu, por exemplo, me atenho no VER PESSOAS. Não sou muito ativa socialmente; vez ou outra, vou ao cinema, saio com amigos, mas não é um costume. Uma das coisas que eu mais gosto nesse emprego é o fato de estou sempre em contato com pessoas diferentes, seja só de ver - e fazer obsevações a respeito de comportamento, vestimenta (sim, às vezes eu não tenho o que fazer aqui), - ou de conversar.
Gosto do movimento das pessoas, sempre diferentes, sempre apressadas! Perguntam e saem correndo antes mesmo de você terminar de responder (é falta de educação sair correndo assim, sabiam? Eu paro de falar mesmo), o quanto elas são diferentes, mas o quanto são iguais na pressa! Da impaciência dos que esperam, à saudades dos que chegam. Tudo aqui é sempre igual e sempre novo!!
Sempre sorrindo, sempre de olho...
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